sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pixelóide entrevista Conrado Almada

O mineiro Conrado Almada virou notícia na mídia especializada dias atrás por ter a ousadia de colocar os seus conterrâneos do Skank tocando presos pela parede no vídeo de Sutilmente. Porém, antes disso, o diretor já vinha ganhando destaque no cenário nacional de produção de videoclipe com artistas de peso e propostas inovadoras. Foi assim com sua ótima videografia resumida abaixo em suas principais obras (basta clicar no nome do clipe para assistir):

Outro Lugar, Detonautas Roque Clube (quando Conrado ainda era integrante do Estúdio Mosquito) | Não Mais, do Pato Fú | #1, Monno | O Grito, Tianastácia | Até Onde Vai, Jota Quest | Fica Aqui, Tianastácia | Fugindo de Mim, Wilson Sideral | Seus Passos, Skank | La Plata, Jota Quest | Vem Andar Comigo, Jota Quest | Sutilmente, Skank

O Pixelóide conversou com o diretor sobre o mercado de clipes, referências e a trajetória. Confira a entrevista abaixo:

01. Antes de mais nada, obrigado pela disposição em responder ao Pixelóide. Para começar, qual sua opinião sobre o mercado de clipes no Brasil hoje?


O mercado de clipes no Brasil hoje está se redescobrindo. Em meados dos anos 2000 com a mudança drástica no mercado de discos a produção de clipes caiu bastante, reflexo direto da diminuição de investimento por parte das gravadoras em clipes e mesmo em bandas novas. O que vemos hoje é quase um recomeço, onde os orçamentos de uma forma geral são bem mais reduzidos e a criatividade está voltando a fazer a diferença.

02. A Mtv Brasil anunciou no início do ano passado a morte do videoclipe e a mudança de sua grade de programação baseada nisso. Como tem sido trabalhar então para as novas mídias, sendo elas mais rápidas, mais acessíveis porém sem garantia de uma reprodução de qualidade?

Realmente o perfil da MTV nos últimos anos mudou bastante, pra pior a meu ver. Sua programação de repente se viu reduzida a programas de auditório e reproduções de séries adolescentes da MTV americana e nas horas vagas um ou outro videoclipe. Mas as críticas foram tantas que eles tiveram que repensar esse formato e hoje o canal já balanceou mais sua programação com o que a tornou famosa, os videoclipes. O mais bacana da visualização dos clipes na internet é a possibilidade das pessoas comentarem e deixarem suas impressões sobre os trabalhos sem nenhuma censura, acima de qualquer “jabá”. Se o clipe for ótimo, péssimo ou inodoro você vai ficar sabendo, pois o internauta não costuma perdoar nada. É um espaço muito mais democrático que a TV convencional, e a qualidade de exibição ainda não é ideal, mas vem melhorando a cada dia.

03. Como se inicia o processo criativo de um clipe? As primeiras idéias são abertas aos integrantes da banda a ser dirigida?

O processo de criação de um clipe varia muito dependendo da banda e do diretor. No meu caso eu recebo a música a ser trabalhada, converso com a banda a respeito do que eles querem atingir com o clipe e a partir daí tiro meu tempo pra pensar. Esse tempo varia de uma a duas semanas, quando então eu desenvolvo uma idéia e a apresento para a banda. A partir do Ok da banda pra idéia inicia-se o processo de produção propriamente dito.

04. Qual banda/artista (nacional e internacional) você quer um dia dirigir?

Artistas nacionais, graças a Deus, já dirigi vários que gostaria, mas com certeza queria dirigir um clipe para o Lenine, de quem sou fã, e de uma banda nova muito bacana chamada Móveis Coloniais de Acaju. Internacionais são vários os que seria incrível trabalhar, pela relação e importância que eles dão para seus clipes, como Beck, Bjork, Kanye West, entre outros.

05. Dos clipes já realizados, qual foi o mais complexo? As dificuldades já fizeram com que o resultado final fosse muito diferente do que foi projetado?


Sem dúvida o clipe mais complexo que já fiz foi “Sutilmente” do Skank. Tudo era difícil ali, a começar pela posição que a banda tinha que ficar, a iluminação, o movimento de câmera com a grua, o sincronismo da coreografia e outros elementos ao fundo, e pra completar o fato de ser um plano sequência, isto é, uma tomada única sem cortes. Todos ficaram muito felizes com o clipe, que vem sendo bastante visto e comentado, mas pode ter certeza que se eu pudesse fazer de novo corrigiria alguns detalhes, mas também curti bastante esse trabalho. “La Plata” do Jota Quest também foi outro que me tirou várias noites de sono. Foram duas longas diárias de filmagem com muitas trocas de figurino, e uma figuração de mais de 200 pessoas. O maior desafio nesse clipe foi tirar uma atuação convincente da banda, mas devido à vontade deles de fazer um belo trabalho e à sintonia da equipe, o resultado final ficou bem bacana.

06. Quais são seus diretores de videoclipe favoritos? Eles refletem em suas características como diretor? Dos nacionais, qual colega de profissão você admira?

Não tem como falar de direção de clipes e não pensar imediatamente em nomes como Michel Gondry, Spike Jonze e Johnatan Glazer. Esses caras realmente fizeram muita coisa boa e quebraram vários paradigmas no áudiovisual, com estética, técnica e conceitos inovadores. Sem dúvida me inspiro neles, mais na vontade de inovar que eles tem, do que em suas idéias e estéticas. Quando vou fazer um clipe sempre me pergunto “O que o Gondry faria nesse clipe?”...hahahah. É um bom exercício. O diretor brasileiro que mais curto é o Jarbas Agnelli, que já realizou muita coisa bacana, e pra mim está no mesmo patamar dos diretores que citei antes.

07. Em um set de gravação, o que não pode faltar de maneira nenhuma para você?

Uma equipe afinada. Sem dúvida é o que faz a diferença no set. Não adianta nada uma boa idéia com uma má realização. E pra se realizar um bom clipe é preciso envolvimento, talento e colaboração de muita gente
.




08. Você tem três grandes vídeos que com certeza vão disputar as melhores premiações do ano. Jota Quest com La Plata e Vem Andar Comigo e Skank com Sutilmente. O ano de 2009 foi o melhor para sua carreira nesse ramo?


Posso dizer que está sendo um ano de muito trabalho e realizações também. O apoio dos meus parceiros de trabalho, minha família e minha esposa está sendo fundamental pra conseguir realizar esses projetos. Com certeza o retorno está aparecendo, mas ainda tem muito a ser feito.


09. Você já colocou o pessoal do Skank tocando a 90º do chão. Qual outro recurso invoador você quer usar um dia num próximo clipe mas ainda não teve oportunidade?

Carrego sempre comigo um caderno de anotações e esboços onde vou anotando minhas idéias. Muitas vezes uma idéia que tive há anos atrás se encaixa em algum trabalho atual. Por isso, mesmo uma bobagem que penso eu anoto, pra não me esquecer, pois isso pode ser desenvolvido e usado no futuro.
Mas aí é melhor guardar pra mostrar esses novos recursos e idéias quando um novo clipe estiver pronto ;)

10. Peça um clipe, ai! Um que você goste muito. E comenta que nem aqui no Pixelóide, pode ser?

Curto muito o clipe “6th Avenue Heartache”, do The Wallflowers. A direção é do grande David Fincher, que já fez pérolas no cinema como “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Seven”, “Clube da Luta”, entre outros.



Esse clipe tem o casamento perfeito das imagens com a música. Não há nenhuma grande sacada técnica nem um roteiro mirabolante, mas é de um bom gosto visual extremo. A técnica usada é o stop motion fotográfico mesclado com filmagens normais transformadas em stop motion na edição. O diretor apresenta a banda de forma bastante despretensiosa, caminhando por ruas, cafés e parques de NY, eventualmente cantando a música. Os pontos fortes são o ritmo da edição, a refinada fotografia preto e branco e a composição desses fotogramas na tela. Bem não sou nenhum Jader Maia pra criticar um clipe mas tentei! Grande abraço a todos e vida longa ao Pixelóide!!!

O Pixelóide agradece imensamente Conrado Almada pela boa vontade e admite ter ficado lisonjeado com as palavras!

10 comentários:

Beca disse...

Gostei muito da entrevista! É muito bacana ver a perspectiva deles e a forma de um diretor pensar, devem ser muitas idéias e muito pouco tempo para desenvolver.

Espero que tenham mais entrevistas em breve!!! :)

p.s.: eu adoro essa música do Wallflowers.

Flávio aspin disse...

Kra essa entrevista foi 10, nao sabia nem 1/3 sobre o processo de criação de um clipe. Conrado manda muito, o clipe de sutilmente eh de um nivel altissimo.

parabens ao blog pela iniciativa.

Mariano disse...

Muito legal essa entrevista!
Esse Conrado é daqueles caras que páram pra pensar.
Esse blog está cada vez melhor com conteúdo diversificado.
Parabéns!

Mariano disse...

Muito legal essa entrevista!
Esse Conrado é daqueles caras que páram pra pensar.
Esse blog está cada vez melhor com conteúdo diversificado.
Parabéns!

drano disse...

Gostei bastante da entrevista pois me esclareceu em vários pontos, principalmente no caso da influência da internet como meio de difusão do videoclipe. Espero que os clipes brasileiros cada vez mais ganhem destaque internacional, assim como seus artistas.


Parabéns ao pix e ao Conrado!

Jader Maia disse...

Valeu Mariano, Flávio, Bequitam e Adriano.

Tou me dedicando pro Pix ficar legal, com conteúdo atrativo sempre.
Em breve, entrevista com um novo diretor!

=]

Ronan Morais disse...

Jader,

Se quiser me entrevistar, tenta marcar com antecedencia blz? to muito ocupado esses dias e pode ficar dificil para você.

Hahahaha brincadeiras a parte, So tenho elogios a fazer! O blog tá sensacional mesmo, está muito visivel as proporções que ele vem tomando e a fidelidade de quem vem aqui. Conteudo bom e exclusivo é sempre uma ótima receita ne?

Abraço cara, continua ai dando gás que os resultados já estão aparecendo!!

MONICA LIMA disse...

MTO SHOW O BLOG!!!
JA ADD NOS MEUS FAVORITOS.
LEGAL A ENTREVISTA COM O CONRADO.
BJUSS,,,

Jader Maia disse...

Valeu, Mano. Pode deixar que vou enquadrar você na agenda de entrevistas do Pixelóide. kkkkkkkkk

Oi Mônica. Obrigado pelo elogio e volte sempre por aqui! =]

Ana Lú disse...

Ah gente... Me mata de orgulho! Adorei beibe!!! e a entrevista é ótima!

Esse blog vai longe! e só vai te levar mais longe ainda! =]
bjinhos

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